BAHIA EM REVISTA

Martinelli sai do banco para escrever seu nome na história da Copa do Mundo

Gabriel Martinelli tem um jogo de Copa do Mundo da FIFA™ para chamar de seu. O atacante entrou no segundo tempo e marcou o gol da virada do Brasil por 2 a 1 sobre o Japão nos acréscimos. Não era uma tarefa fácil, já que ele foi colocado em uma posição atípica, mais centralizado, contra uma defesa que suportou muito bem a pressão brasileira pela partida toda praticamente.

Mas, quando Bruno Guimarães recebeu de Rayan e encontrou um belo passe para Martinelli, ele tocou na saída de Zion Suzuki, colocou a Seleção Brasileira nas oitavas de final e se eternizou com um momento na história do Mundial.

“Não tenho palavras para descrever a alegria que está no meu coração ao ver todo o povo brasileiro feliz com a classificação. Ver a minha família, minha esposa, meu pai e minha mãe. Meus amigos… Não tenho como explicar o que sinto, a ficha não caiu, só vai cair daqui a um tempo”, comemorou.

“Falei outro dia com a minha família, que tinha acertado bola na trave e teria outra oportunidade. Graças a Deus hoje eu consegui fazer o gol. Estou muito feliz pelo time, que se doou o máximo. Sem palavras.”

O brilho de Martinelli é símbolo de um sistema ofensivo que dá espaço a muitos jogadores sob o comando de Carlo Ancelotti. Desde a estreia do Brasil, todos os jogadores de frente já ganharam minutos nesta Copa do Mundo. Dessa vez, ele optou por Martinelli antes de jogadores como Neymar Jr, Luiz Henrique e Igor Thiago, que foram titulares com ele nos últimos jogos.

Alguns deles, como Igor, que marcou 22 gols na última temporada da Premier League, estão até mais habituados a atuar pela faixa central do ataque. Mas Carlo Ancelotti confiou no atacante do Arsenal para fazer esta função, e ele não o decepcionou.

“Lá no Arsenal, eu não faço muita essa função. Mas também posso jogar por dentro. Fico feliz por ter ajudado a equipe. Como o Vini estava jogando mais aberto pela esquerda, entrei pelo meio para conseguir acionar mais ele, deixá-lo mais vezes em situação de um contra um”, explicou.

“Ancelotti é um cara surreal. No intervalo, nos deu confiança, falou que a gente ia fazer o gol e virar, não importa em que minutos saísse o gol. A gente vê essa calma e isso nos tranquiliza.”

O treinador contou o que pretendia com a substituição. “Às vezes, um jogador te surpreende mais quando você o tira da posição com a qual todos o associam. Eu não teria medo de experimentar Martinelli como um nº 8 ofensivo em certos jogos porque acho que ele tem a inteligência e a personalidade para fazer isso funcionar.”

Gabriel Martinelli se tornou o quarto jogador a marcar um gol pelo Brasil nesta Copa do Mundo. A artilharia da Seleção é liderada por Vinicius (4) e seguida de perto por Matheus Cunha (3). Ele e Casemiro, que marcaram contra o Japão, têm um gol cada. O volante, um dos mais experientes do elenco, destacou o protagonismo compartilhado entre diferentes jogadores brasileiros.

“Em uma Copa do Mundo, é fundamental valorizar os jogadores que vêm entrando do banco”, frisou Casemiro. “O Endrick entrou muito bem hoje, o Martinelli é outro grande jogador, e o Rayan vem substituindo muito bem o Raphinha. Esse é o espírito e esse é o grupo para ganhar o Mundial.”

Vice-artilheiro, Matheus Cunha passou em branco nos 65 minutos de jogo que teve. Foi ele quem deu lugar a Martinelli, mas, após a partida, o sorriso no rosto do camisa 9 era como se o gol marcado tivesse sido marcado por ele próprio.

“Esse é o sentimento de ver o Martinelli entrando e resolvendo para nós, o Casemiro… A gente se supera. A gente sabe o quanto isso é pesado, que tem muitas dúvidas”, descreveu Matheus. “Dá muito orgulho ver o grupo todo resolvendo, cada um tendo seu protagonismo e passando aos poucos, aos trancos e barrancos, mas sempre com orgulho de representar o Brasil.”

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