BAHIA EM REVISTA

Copa dá mais motivos ao México para acreditar

Com o estádio semivazio e ainda ecoando os aplausos, com os quais a torcida havia se despedido do México na Copa do Mundo da FIFA 2026™, Guillermo Ochoa caminhou até o centro do gramado. Ali, em silêncio, contemplou o fim de sua trajetória na seleção. Após disputar seis Mundiais, viu encerrar-se uma era da equipe mexicana justamente no estádio onde fizera sua estreia profissional; ele foi uma das figuras-chave do time até a sua última partida, que vivenciou do banco de reservas. Com a sua saída, a seleção encara o início de um novo ciclo que já não pode ser adiado.

Após cinco vitórias e uma derrota dolorosa por 3 a 2 que selou a eliminação, os jogadores mais jovens começam a fazer ouvir suas vozes no elenco. “Eu iria para a guerra com eles, e isso me mostra que estamos no caminho certo”, disse Erik Lira após a partida. Embora a eliminação tenha deixado imagens de profunda angústia, como as lágrimas de Armando González, consolado por Javier Hernández ao apito final, o meio-campista de 26 anos manteve a serenidade e o foco no futuro, afirmando: “Plantamos uma semente de que nos lembraremos lá na frente, e colheremos os frutos. Tenho certeza de que grandes coisas nos aguardam”.

Como nunca antes, os torcedores mexicanos, que começaram o torneio divididos entre o ceticismo quanto à terceira passagem de Javier Aguirre no comando e a empolgação com uma nova geração de jogadores, permitiram-se acreditar. Eles adotaram clássicos da música nacional para canalizar esse sentimento para dentro de campo e foram às ruas celebrar uma seleção que honrou a promessa de lutar até o fim. “Se fosse para cair, cairíamos de cabeça erguida”, disse Guillermo Martínez, uma das opções de ataque acionadas na busca pelo empate que, no fim das contas, não veio.

A história do México em Copas do Mundo é repleta de episódios dolorosos: eliminações em disputas de pênaltis, viradas sofridas e gols espetaculares que mudaram o seu destino. Esta edição acrescentou mais uma derrota à lista. A equipe chegou à fase de mata-mata e venceu um jogo dessa etapa pela primeira vez em 40 anos, mas não conseguiu igualar o seu melhor desempenho de todos os tempos: as quartas de final alcançadas em 1970 e 1986.

Para Lira, no entanto, o contexto importa, e ele se recusa a encarar a derrota em termos catastróficos. O meio-campista afirmou que o México levou a Inglaterra ao limite e que os jogadores ingleses reconheceram o esforço de El Tricolor ao final da partida. “Desta vez foi diferente. Eu apostaria minha reputação ao dizer que esta foi uma das três seleções mexicanas com melhor desempenho”, declarou.

A seleção mexicana chegou a esta Copa do Mundo sob uma nuvem de incertezas. “Ninguém acreditava em nós”, resumiu Guillermo Martínez. A equipe se despede com várias certezas. Raúl Rangel transformou a posição de goleiro em um ponto de segurança após vencer a disputa pela titularidade contra Luis Ángel Malagón. Julián Quiñones aproveitou seu vigor físico e sua velocidade explosiva, atributos que poucos jogadores mexicanos possuem, para marcar quatro gols. Erik Lira trouxe equilíbrio ao meio-campo com desarmes e serenidade na saída de bola. Enquanto isso, Obed Vargas e Gilberto Mora provaram que dão conta das exigências de uma Copa do Mundo e podem desempenhar um papel importante no próximo ciclo.

Contra o Equador, El Tricolor rompeu uma das barreiras mais persistentes de sua história recente: aquela que definiu sua trajetória competitiva e sua associação com o fracasso. Cada vitória marcou uma virada na relação da equipe com a torcida, que mais uma vez se viu representada no elenco e, em uma partida histórica, não deixou a camisa verde guardada no armário. Na noite de domingo, ao contrário de ocasiões anteriores, a equipe não ficou desamparada; seus esforços foram reconhecidos.

A equipe dará continuidade ao trabalho sem Javier Aguirre, que encerrou sua terceira passagem como técnico de El Tricolor com este torneio, uma experiência que ele descreveu como profundamente gratificante e à qual se dedicou de corpo e alma: “Estes cinco jogos foram inesquecíveis. Despeço-me da seleção; saio com muito orgulho.” Ele então abriu caminho para a nova era que deverá ser comandada por Rafael Márquez: “Eu o tive como jogador e, agora, como colega. Ele é mais do que qualificado. É uma pessoa valiosa e um grande treinador, vocês verão. Espero que ele faça um trabalho ainda melhor.”

Gil Mora já havia dito isso, como uma ideia que agora se volta diretamente para o futuro: “E por que não?”

 

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