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Brasil x Japão: 20 anos de encontros e desencontros

Brasil e Japão vão se enfrentar no mata-mata da Copa do Mundo da FIFA 2026 em busca de vaga nas oitavas de final. O jogo da próxima segunda-feira (29 de junho), em Houston, marca um reencontro que demorou 20 anos para ocorrer – e que esteve perto de acontecer nas últimas duas Copas.

O único duelo entre as duas seleções no Mundial foi disputado em 2006, na Alemanha, e o Brasil foi a Dortmund para encerrar a fase de grupos com uma terceira vitória, tentando apresentar um futebol correspondente às expectativas geradas para aquela equipe. Era a Seleção do “Quadrado Mágico” de Ronaldo, Adriano, Ronaldinho e Kaká, que ainda contava com os experientes Cafu e Roberto Carlos nas laterais, entre outros nomes de peso.

Na estreia com a Croácia, Kaká fez o gol da vitória por 1 a 0, e Adriano e Fred garantiriam o 2 a 0 contra a Austrália na partida seguinte. Para o duelo com o Japão, o técnico Carlos Alberto Parreira promoveu mudanças, como as entradas de Cicinho e Gilberto nas laterais e a presença de Juninho Pernambucano no meio de campo. O que se viu foi uma partida mais dinâmica, que trouxe problemas ao técnico do Japão: Zico.

“Eu fiz um tipo de jogo para jogar contra os mais velhos, e o Parreira mudou os cinco garotos e botou todo mundo pra correr”, lembra com bom humor o então treinador da seleção asiática em entrevista à FIFA. A partida viu um Brasil que dominou e pressionou no primeiro tempo, mas que levou um gol de contra-ataque. O empate, porém, viria ainda antes do intervalo, com um (raro!) cabeceio de Ronaldo com assistência de Cicinho.

“A principal memória que tenho é do gol que nós tomamos nos acréscimos. A gente estava ganhando de 1 a 0, e se vira ali para o segundo tempo assim a situação ia ser diferente. Na última bola, saiu o gol de cabeça do Ronaldo. Eu sacaneio ele, que ele diz que eu sou o ídolo dele, mas o único gol de cabeça dele foi contra mim”, brinca Zico. “Hoje, com mais experiência, o time seguraria a bola, deixaria terminar, mas naquela época não.”

O lateral esquerdo titular do Japão era Alex Santos, paranaense de Maringá que se naturalizou em 2001. O ex-jogador também lembra da dificuldade que foi enfrentar o estrelado time brasileiro. “A gente não pensava que iria conseguir marcar, não [risos]. Teríamos que correr bastante como equipe para poder anulá-los. Marcávamos muito por zona, nunca no individual, porque sabíamos que poderia em algum lance alguém desequilibrar. Não tinha um lado ‘mais fraco’ para deixar desmarcado”, diz Alex Santos à FIFA.

No segundo tempo, Juninho Pernambucano, Ronaldo novamente e Gilberto levariam o placar a 4 a 1. O gol do Fenômeno, inclusive, o levou a igualar a Gerd Müller como maior artilheiro das Copas naquele momento, com 14 bolas na rede. O camisa 9 faria mais um gol nas oitavas de final, contra Gana, e tornaria-se o goleador máximo dos torneios, posto que perderia para Miroslav Klose em 2014. A partida contra o Japão ainda marcaria os únicos minutos de Rogério Ceni em campo durante uma Copa do Mundo, ao entrar nos instantes finais no lugar de Dida.

O Brasil seria eliminado da Copa de 2006 nas quartas de final pela França, com gol de Thierry Henry e uma exibição magnífica de Zinedine Zidane. O Japão teve seu adeus decretado ainda na fase de grupos com a derrota para a Seleção. Para 2026, a equipe asiática chega com duas edições seguidas em que disputou as oitavas de final e tem no time de Carlo Ancelotti o obstáculo para ir longe no mata-mata. “Vai ser uma grande partida, porque o time do Japão joga o jogo”, avisa Zico.

 

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