O bairro de Valéria, em Salvador, ganhou um novo símbolo de identidade e pertencimento. Durante uma cerimônia simbólica, foi apresentado um mural grafitado produzido no âmbito do projeto “Ocupa Casa do Benin Expandido”, iniciativa que reuniu artistas locais e estrangeiros em um processo de criação coletiva. A parede escolhida para receber a obra foi a do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU), situado na localidade.
A obra, produzida por cerca de 10 artistas, celebra o intercâmbio entre Salvador e o país africano Benin. A ideia foi reforçar a importância da preservação da memória e da ancestralidade, além da promoção da arte com a participação ativa da comunidade escolar e de equipamentos sociais situados em Valéria.
O painel é resultado de uma parceria entre a Fundação Gregório de Mattos (FGM), a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e a Universidade Federal da Bahia (Ufba). De acordo com a gerente de equipamentos culturais da FGM, Manuela Sena, a proposta da construção do mural grafitado surgiu após a vinda da artista beninense Drusille Fagnibo ao Brasil. Ela trouxe a ideia de deixar um marco simbólico de sua passagem pela capital baiana.
O processo de construção da arte, ainda segundo Daniela, surgiu a partir de oficinas e rodas de ideias realizadas com grafiteiros locais, em que a comunidade também opinou sobre o que gostaria de ver representado em seu dia a dia.
“Trouxemos a artista beninense, das artes visuais, para dialogar com grafiteiros da região e com artistas locais de diferentes linguagens. Fizemos oficinas de brainstorming para pensar coletivamente quais símbolos, imagens e cores traduziriam o sentimento dessa comunidade. O resultado é um mural que celebra a diáspora africana e reforça os vínculos entre Benin e Salvador”, contou.
O envolvimento dos moradores foi fundamental durante o processo. Jovens, alunos das escolas da região e pessoas atendidas pelo Centro de Referência de Assistência Social (Cras), que fica dentro do CEU, participaram dos encontros e acompanharam o avanço do trabalho, que levou quase um mês para ser concluído.
O produtor cultural Carlos Victor, de 22 anos, morador de Valéria, diz que o mural expressa tanto os símbolos do bairro quanto os marcos históricos de Benin, o que transformou a obra em uma conexão entre dois territórios.
“Foi um processo longo, que durou quase um mês e envolveu vários artistas. Cada um trouxe suas vivências e perspectivas, e isso resultou numa obra coletiva, em que cada detalhe tem um pedaço da história de quem participou. O mural une elementos de Valéria, como a Lagoa da Paixão, a fauna e a flora, com referências de Benin, como o Portal do Não Retorno. É um diálogo entre continentes que se materializou nas paredes do CEU”, destacou o jovem.


