De um lado, o ataque mais eficiente da Copa do Mundo da FIFA 2026. Do outro, a defesa menos vazada da competição. Com 19 gols marcados pela Argentina e apenas um sofrido pela Espanha em sete partidas, os dois goleiros têm tudo para desempenhar um papel decisivo na grande final deste domingo, no Estádio de Nova York-Nova Jersey.
Há, no entanto, um contraste evidente entre os estilos de Emiliano Martínez e Unai Simón. O argentino chama atenção pelo carisma e pela personalidade, enquanto o espanhol transmite uma confiança discreta. O que os dois têm em comum, porém, é o fato de figurarem entre os melhores goleiros do planeta. Martínez conquistou a Luva de Ouro adidas na Copa do Mundo da FIFA Catar 2022, enquanto Simón teve papel decisivo na campanha que deu à Espanha o título da Uefa Euro 2024.
Os dois também vivem grande momento nesta Copa e foram fundamentais para conduzir suas seleções à final.
Simón alcançou a incrível marca de 650 minutos sem ser vazado — uma sequência iniciada contra o Japão, na última rodada da fase de grupos do Catar 2022, e encerrada apenas nas quartas de final desta edição, contra a Bélgica — e estabeleceu a mais longa série de invencibilidade da história do torneio. O gol na vitória por 2 a 1 sobre os belgas foi, aliás, o único sofrido pelo goleiro do Athletic Bilbao neste Mundial.
Embora a Argentina tenha sofrido sete gols e precisado reagir nos minutos finais em diferentes partidas para chegar à decisão, Martínez brilhou especialmente nas quartas de final contra a Suíça. Depois da atuação memorável diante da França na final do Catar 2022, ficou claro que o goleiro do Aston Villa sabe crescer nos momentos mais importantes.
Ex-goleiro da seleção suíça e líder do Grupo de Estudos Técnicos da FIFA na Copa do Mundo, Pascal Zuberbuhler explica que Simón tende a assumir riscos quando participa da construção das jogadas com os pés.
“É interessante observar o posicionamento do goleiro na fase de construção. Nesta Copa do Mundo, dá para perceber claramente que Unai Simón faz parte da identidade da Espanha como esse jogador extra na saída de bola. Quando a defesa está com a posse, a bola volta imediatamente para ele. Nem precisa se oferecer tanto para participar do jogo”, afirma Zuberbuhler à FIFA.
“Ele joga de maneira muito ofensiva e assume muitos riscos, mesmo sofrendo pouquíssimos gols. Alguém pode dizer que ele não foi muito exigido nesta Copa do Mundo, mas sofrer apenas um gol em sete partidas não acontece por acaso. Talvez ele não tenha feito defesas tão espetaculares quanto outros goleiros, mas suas atuações são de altíssimo nível. Na semifinal contra a França, por exemplo, correu riscos em duas jogadas ao dar cobertura à linha defensiva fora da área.”
Zuberbuhler acrescenta que Martínez é um goleiro feito para grandes decisões e que pode contar com a experiência adquirida na campanha do título da Argentina em 2022.
“Em relação ao Martínez, sabemos que ele é um goleiro ‘maluco’, no melhor sentido da palavra. Ele é capaz de fazer a defesa do jogo e tem a mentalidade e a coragem necessárias para conseguir isso, como fez aos 123 minutos da final contra a França em 2022, com aquela defesa extraordinária em X. Ele é perfeitamente capaz de repetir algo assim nesta final”, aponta.
“Ele também tem a capacidade de defender três cobranças se a decisão for para os pênaltis. É um goleiro imprevisível, mas que demonstra a mentalidade certa nos momentos mais importantes. Por isso será tão interessante acompanhar o duelo entre esses dois goleiros. De um lado, está o argentino, capaz de fazer aquela defesa a mais. Do outro, Simón, que se encaixa perfeitamente na maneira de jogar da Espanha.”
Para Zuberbuhler, porém, nenhum dos dois leva vantagem antes da decisão. “A Argentina terá enorme dificuldade para superar a Espanha, mas mostrou contra a Inglaterra sua atitude, sua confiança e o comprometimento absoluto de todos os jogadores. Será fantástico assistir a esse duelo.”, encerra.
