BAHIA EM REVISTA

A pergunta do milhão para a Inglaterra: como parar Haaland?

Ao falar com a imprensa mundial, Morgan Rogers resume a pergunta que ecoa pelo mundo do futebol, um enigma que a Inglaterra precisa decifrar se quiser chegar às semifinais da Copa do Mundo, oito anos após sua campanha na Rússia: Alguém já conseguiu parar Erling Haaland?

“Não tenho certeza se eles conseguiram, mas vamos ter de tentar”, reflete o meio-campista do Aston Villa, que saiu do banco contra o México para reforçar o esforço defensivo que garantiu a vitória por 3 a 2 nas oitavas de final. Inicialmente visto como uma alternativa a Jude Bellingham para a função de camisa 10, ele acabou atuando lado a lado com o companheiro, movidos por puro espírito de sacrifício, para assegurar o triunfo mesmo com um jogador a menos.

Rogers conhece bem Haaland, tendo o enfrentado diversas vezes na Premier League, onde o atacante norueguês foi o artilheiro em três das últimas quatro temporadas. O goleador, que marcou 27 vezes em 35 partidas na temporada 2025/26, estendeu seu domínio à sua primeira participação em Copas do Mundo, acumulando sete gols em quatro jogos: dois contra o Iraque, outros dois contra o Senegal, um contra a Costa do Marfim na segunda fase e dois contra o Brasil nas oitavas de final.

O Aston Villa teve um desempenho positivo na temporada 2025/26 contra o City de Haaland: os Villans venceram as duas partidas, com Ezri Konsa, titular da defesa inglesa, atuando como uma muralha para impedir que o norueguês marcasse no jogo de ida: “Fomos bem naqueles jogos contra o City, mas cada partida é diferente, e ele pode decidir o jogo num estalar de dedos. Precisamos manter o foco total e estar muito atentos às suas movimentações sem a bola e ao seu posicionamento dentro da área.”

Gabriel Magalhães sabe bem disso, sendo um de seus principais adversários em um duelo que se tornou uma marca registrada dos confrontos entre Manchester City e Arsenal. O zagueiro brasileiro sentiu toda a força dessa disputa, um momento perfeitamente ilustrado pelo gol de abertura: Haaland parecia desconcentrado, aparentemente alheio à jogada, até que de repente entrou em ação, superando seu marcador para desferir uma cabeçada indefensável que abriu o placar em 1 a 0 contra o Brasil.

Nico O’Reilly, lateral-esquerdo inglês, é seu companheiro de equipe no Manchester City. Sempre uma ameaça pelo lado esquerdo, a parceria entre eles foi uma constante ao longo da última temporada. “O Erling é o Erling. Todos nós sabemos como ele é. Ele sabe fazer gols, é perigoso dentro da área e representa uma ameaça real”, disse ele antes da partida, enquanto a equipe estava em Kansas City. “Ele é um atacante incrível, de nível mundial. Ele provou isso ao longo do torneio, marcando gols em todos os jogos que disputou.”

Parar Haaland no mano a mano é um desafio para qualquer zagueiro, mas, para Rogers, uma grande atuação individual não basta: “É preciso um esforço coletivo para parar alguém assim. Você tem que cortar as linhas de passe para ele e analisar o que eles fazem como equipe, como criam chances. Teremos de tentar atrapalhar o estilo de jogo deles, trabalhar nesses aspectos e impedir que a bola chegue até ele e evitar que ele tenha essas oportunidades.”

Para O’Reilly, interromper os padrões de criação de jogadas deles será fundamental: “Para que Haaland cause estragos, eles primeiro precisam levar a bola até ele. Há muitos fatores envolvidos. Eles são um bom time; mostraram isso ao longo do torneio. Não são apenas alguns jogadores com quem precisamos nos preocupar. Eles funcionam bem como um conjunto.”

“Eles são uma equipe fantástica. Esse é o seu maior trunfo: como time, como unidade, eles são muito fortes. Não é só o Haaland. Eles têm outros jogadores muito bons, que enfrentamos regularmente na Premier League, e precisamos ficar de olho neles também”, concorda Rogers, antes de prosseguir com sua análise das qualidades do camisa nove.

“E eles têm um dos melhores atacantes do mundo. Quando ele está em campo, tudo pode acontecer”, acrescentou. “Ele é um jogador incrível, pelo que faz e pelos números que registra. Nunca é surpresa quando o Erling marca dois gols e eles vencem a partida. Quantas vezes ele já fez isso ao longo da carreira? E continuará fazendo. É impossível não admirá-lo pela sua qualidade e pelo nível em que joga.”

Haaland coroou uma atuação de destaque contra o Brasil e sabe que os holofotes do mundo estão voltados para ele em sua primeira Copa do Mundo, embora reconheça a Inglaterra como uma das favoritas: “Acho que todos vocês deveriam colocar a pressão sobre eles”, disse ele aos repórteres. “É uma espécie de jogo psicológico”, respondeu O’Reilly. Em Kansas City, a Inglaterra já sabe qual problema precisa resolver. A questão, como apontou Rogers, é se realmente existe uma solução.

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